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JUBA
Irmãos Escravos
Data:13/05/2015 - Hora:08h59
Hoje deveríamos estar comemorado a vitória de uma luta que não é apenas dos negros, que diz a história ter acontecido no dia 13 de maio de 1888, mas cediço, que nem os negros, nem os pobres do patropi, podem dizer, ser livres e independentes. Este fato, não nos tira nesta data, o direito de lembrar que a luta pela libertação não deve se restringir a uma raça, mas a todo trabalhador. Quem tem boa memória e raciocínio lógico, sabe muito bem da importância do negro no contexto social do reino tupiniquim, no futebol, na musica, na cozinha, na mão de obra pesada que os brancos recusavam e dissimulam há mais de um século, chegando aos 127 anos da dita Lei Áurea, como alforria aos irmãos negros. A sanção da lei Áurea, (sanção em duplo sentido) assinada pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1888, declarou formalmente extinta a escravidão no Brasil, mas como não passou de uma formalidade baseada em uma necessidade econômica capitalista, se manteve a terra nas mãos dos grandes proprietários, que se organizaram para evitar que fosse doada aos negros \"libertos\". Desta forma os latifundiários mantiveram o monopólio da propriedade da terra e conseguiram mão-de-obra assalariada barata face à inexistência para o escravo de uma opção que não fosse vender sua força de trabalho aos antigos senhores. O mesmo capitalismo que aprisionou o negro na África e o escravizou no Brasil, joga-o nas favelas e cortiços das cidades, explorando-o nas indústrias, utilizando-o como exército de reserva para pagar menores salários. Quando relembrarmos a morte de Zumbi, mercê se faz necessário afirmar que a libertação dos escravos não foi uma dádiva da classe dominante, mas uma exigência do sistema capitalista, devido ao esgotamento do regime escravista; a necessidade do enfraquecimento da produção do açúcar brasileiro que competia com o açúcar do imperialismo inglês produzido nas Antilhas, gerando o fim do tráfico; além do medo constante de uma revolução comparável à do Haiti em1792. Prova do mencionado supra de que branco refuga ao trabalho pesado, estatísticas comprovam que os ramos de atividades agrícolas, das indústrias da construção civil e prestação de serviços absorvem cerca de 68% de negros e mulatos, contra 32% de brancos. O grave não seria apenas isso, mas a distorção alarmante: 54% dos trabalhadores negros recebem em média até 1 salário mínimo, 16% recebem de 2 a 5 salários mínimos. Quanto à mulher negra, chega a receber até 50% dos vencimentos da mulher branca, além de exercerem, em sua maioria, funções de trabalhadora doméstica, deixando as obrigações das fazendas e os caprichos dos senhores para servir aos caprichos da patroa. A pobreza do negro, conseqüência da incapacidade do capitalismo de absorção da sua força de trabalho assalariada, faz com que aspectos inerentes às condições subumanas de vida sejam interpretados como devido à raça. Por isso, o preconceito racial permanece até hoje, apesar da grande miscigenação ocorrida no Brasil, onde estudos realizados por cálculos de freqüências gênicas demonstraram que a população do Nordeste e de parte do Sudeste já atingiu 97% de panmixia, ou seja, de mistura total. Mesmo assim, o racismo é uma realidade cotidiana. Fica fácil, então, compreender que o problema do negro no Brasil não é simplesmente étnico, a raiz do problema é o capitalismo que marginaliza e explora a sua força de trabalho, fortalecendo o racismo. Claro, que nos últimos 10 anos, o negro conquistou sua vaga na universidade e viaja de avião ao lado do branco exercendo seu direito de cidadão, mas é pouco pelo tanto que fizeram e fazem em prol do desenvolvimento da nação, além de ser humanos como todos os demais, criaturas de Deus, dignos de todo nosso respeito, como irmãos.


fonte: Da Redação



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