Diretora administrativa: Rosane Michels
Domingo, 17 de Novembro de 2019
Pagina inicial Utimas notícias Expediente High Society Galeria Fale conosco
JUBA
Filtro de Idoso
Data:18/07/2019 - Hora:13h49

A primeira impressão é de assombro. Serei assim quando velho? O tempo passa, mas eu imaginava um outro destino. Certa vez, uma amiga me garantiu que, na maturidade, eu teria a cara do Ricardo Darín. A profecia me trouxe paz de espírito. Mas, agora, segundo a tecnologia russa que raleia o cabelo, retira layers de colágeno e usa dados pessoais para sabe-se lá o quê, a bola de cristal da moça estava severamente furada. O segundo olhar é mais resignado: aqueles idosos ali na imagem somos nós mesmos. A velhice está chegando e, para quem está na casa dos 40, a juventude ficou para trás. Prova disso é que o filtro oposto, "jovem", faz um sentido incrível. De onde veio essa foto da adolescência que nem eu sabia que tinha? O curioso é que tanta gente tenha sentido a necessidade de compartilhar socialmente o resultado do envelhecimento artificial. E que apareçam as reclamações. Iniciada a onda viralizante, os conhecidos sommeliers de post alheio resolveram condenar a brincadeirinha inocente que, sejamos francos, não faz mal a ninguém. O mundo anda tão sofrido que um "parem de inundar minha timeline com fotos de velhos" soa totalmente fora de contexto. Vamos nos indignar com o que importa Desconfio que na reprimenda haja algo além da tradicional tendência da internet de polemizar sobre absolutamente tudo. A velhice incomoda porque, junto com o declínio corporal, vem a lembrança inescapável de que ela representa o fim da vida. As sociedades ocidentais lidam muito mal com a morte e o ato de morrer. No espetacular ensaio "A Solidão dos Moribundos", o sociólogo alemão Norbert Elias identifica uma forte tendência, nas sociedades ditas "avançadas", a tentar evitar a ideia de que a vida tem um fim. Afastamos esse pensamento de nós o tanto quanto possível – encobrindo-o, reprimindo-o ou assumindo uma crença inconsciente em nossa própria imortalidade. Os outros morrem, eu não. Um dos efeitos desse processo é que, muitas vezes, a morte principia ainda em vida. Os idosos, parcela da população que mais nos lembra da finitude, muitas vezes são invisibilizados. Como escreve o sociólogo: "A fragilidade dessas pessoas é muitas vezes suficiente para separar os que envelhecem dos vivos. Sua decadência as isola. (…) Isso é o mais difícil – o isolamento tácito dos velhos e dos moribundos da comunidade dos vivos, o gradual esfriamento de suas relações com pessoas a que eram afeiçoados, a separação em relação aos seres humanos em geral, tudo o que lhes dava sentido e segurança. Os anos de decadência são penosos não só para os que sofrem, mas também para os que são deixados sós". A solidão da morte em vida Para Elias, a dificuldade de empatia dos "vivos" – provocação pertinente! – com os velhos é uma das fraquezas de nossas sociedades. "O problema social da morte é especialmente difícil de resolver porque os vivos acham difícil identificar-se com os moribundos", completa. Trata-se de obstáculo exclusivo da raça humana. Entre todos os seres vivos, apenas nós sabemos que vamos morrer. Talvez por isso o passatempo de se ver idoso ao alcance de um filtro de aplicativo provoque tanta curiosidade e, ao mesmo tempo, pavor e repulsa. De alguma forma, a representação de um futuro que não é belo (e não estou falando dos aspectos estéticos do envelhecimento) sepulta a crença na vida eterna. A tecnologia permite ver que um dia compartilharei a velhice e a morte com todo o resto da humanidade. A tecnologia projeta em mim traços familiares de um tio idoso, de um avó, de um pai. Mortos ou, ao menos, mais próximos da morte do que nós. A tecnologia igualmente nos faz pensar no papel que desejamos na maturidade. Sabedoria reconhecida ou motivo de piada? Aposentadoria com alguma dignidade ou trabalhar até morrer? Proximidade de quem se ama ou isolamento? Qual, enfim, o significado de nossa presença na velhice? Volto a Elias: " Nem sempre é fácil mostrar aos que estão para morrer que eles não perderam seu significado para os outros. Se isso acontece, se uma pessoa sentir quando está morrendo que, embora ainda viva, deixou de ter significado para os outros, essa pessoa está verdadeiramente só. Nem sempre é fácil mostrar aos que estão para morrer que eles não perderam seu significado para os outros. Ao imaginar nosso futuro, podemos também pensar no papel e na atenção que destinamos aos nossos idosos. A conclusão muitas vezes pode nos envergonhar… No fim das contas, uma bobagem tecnológica que nos arremessa à terceira idade nos faz ver com outros olhos quem dela hoje faz parte.***___Rodrigo Ratler – jornalista – FolhaUol.

 

 




fonte: Rodrigo Ratler



anuncie AREEIRA JBA
»     COMENTÁRIOS


»     Comentar


Nome
Email (seu email não será exposto)
Cidade
 
(Máximo 1200 caracteres)
Codigo
 
Publidicade
QI
zoom
Multivida
High Society
A família rotária de  Cáceres está em festa com a realização da  Olimpíada Distrital de Interact Clubs (ODIC) do Distrito 4440. O evento tem como objetivo unir os clubes de Interact do estado através de jogos dinâmicos e gincanas. Batizada como Odic do Infinito, na tarde/noite de ontem os mais de 200 jovens foram recebidos pelos interactianos e rotarianos de Cáceres. Esta coluna deseja a todos boas vindas e sucessos nas olimpíadas. No rol dos aniversariantes  o colunável cirurgião dentista Renato Michels Carvalho que comemora a data cercado de carinho da namorada, dos familiares e pessoas próximas. Felicidades e realizações são os nossos votos. Salute!!! Sempre atento as notícias mais mais da Princesinha, Daniel Lima juntamente com a competente equipe do Colégio QI, que acompanham todas as manhãs nosso trabalho. Agradecemos a preferência e desejamos um ótimo dia.
Ultimas norícias
Exediente
Versão impressa
High Society
Fale conosco
VARIEDADES
POLÍTICA
POLÍCIA
OPINIÃO
ESPORTES
EDITORIAL
ECONOMIA
CIDADE
ARTIGO
Jornal Correio Cacerense 2015
Copyright © Todos direitos reservados