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Sono secular
Data:10/07/2019 - Hora:09h20

Este trabalho coloca-se definitivamente na linha das obras fundamentais para a compreensão dos fenômenos da formação brasileira, ao lado de livros como os de Gilberto Freyre, Oliveira Vianna, Sérgio Buarque de Hollanda, Fernando de Azevedo e Caio Prado Júnior. A tese que o sociólogo gaúcho propõe e cuja forma original amplia na presente edição, é das mais ricas e fecundas, especialmente pela explicação que sugere para o caso político e social brasileiro.

Examinando interpretativamente certas fases decisivas de nossa História relacionando-as às suas raízes portuguesas, Raymundo Faoro demonstra que as nossas crises, os conflitos e perturbações em que é farta a nossa crônica político-social, são em grande parte resíduos de uma organização defeituosa e artificial, de que ainda não nos libertamos de todo. O ponto central da tese é o fenômeno que ele conceitua como estamento burocrático, realidade que não se confunde nem com a elite dirigente (“em todas as sociedades organizadas e em todas as épocas”, sustenta ele, “houve sempre o domínio das minorias”) nem com a burocracia.

Para o autor, a burocracia é apenas o aparato da máquina governamental, ao passo que o estamento burocrático é o árbitro do país, de suas classes, regulando materialmente a economia, funcionando como o proprietário da soberania. As demais estratificações, classes ou estamentos, são por ele condicionados, carecendo de valor simbólico próprio. As últimas eleições não foram decisivas para o futuro desses novos “donos do poder” e sua percepção atrasada e ultrapassada de Estado. Mas, seja qual for seu resultado, esta República se esgotou. É ingente um novo pacto que inaugure a próxima, em que o poder seja realmente partilhado com o soberano: o restante do povo brasileiro que a tudo assiste perplexo e desorientado. Uma imensa tarefa de reconstrução do Estado brasileiro é o que se espera, mas ainda não se percebe no discurso dos candidatos.

O principal mérito de Os donos do poder: acordar a história brasileira do seu sono secular, nostálgico e, muitas vezes, sem o saber, elogioso, da tradição portuguesa. Teríamos cumprido essa missão lançada por Faoro? Pela importância e alcance de suas concepções, este livro torna-se leitura obrigatória para todos aqueles que se dedicam ao estudo sério de nossa História ou da Política nacional. ***___Rubens Shirassu Junior - Escritor, pesquisador, jornalista e pedagogo. Autor, entre outros, de Religar às Origens (1980-2011 – ensaios e artigos, 2011) e Sombras da Teia (contos, 2016)

 



fonte: Rubens Shirassu Junior



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Aniversariou ontem a querida Márcia Cristina Dal Toé, cercada de carinho pela sua linda família recebeu os abraços e as vibrações positivas do seu grande círculo de amizade. Esta colunista deseja felicidades e um ano repleto de coisas boas. Já conquistou o público paulista o artista plástico cacerense Sebastião Mendes, que após expor em Assis, já está articulando sua próxima exposição no Memorial Adélio Sarro em Vinhedo. Sucessos!!! Completou mais um ano de vida Luis Otávio Grassi, que brindou ao lado de familiares, amigos do peito e sua amada Luciane Dantas. Felicidades mil!
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