Diretora administrativa: Rosane Michels
Terça-feira, 23 de Julho de 2019
Pagina inicial Utimas notícias Expediente High Society Galeria Fale conosco
JUBA
Como se faz um candidato
Data:24/10/2018 - Hora:11h54

Política é uma coisa séria, eleição outra, onde fatores emocionais predominam, e quanto pode custar (em termos de voto) um pequeno erro estratégico numa campanha eleitoral e como modelar a imagem de um candidato neste momento e no Brasil. Na verdade, ele não é muito mais do que um produto a ser vendido. Em princípio, perfeito: o candidato que estava atrás nas pesquisas faz um cartaz para aproveitar a repercussão de seu mais numeroso comício, para crescer aos olhos do eleitorado como a opção possível à avalancha que se desenhava em favor do primeiro colocado até então. Um pequeno erro, no entanto, comprometeu milhares de reais – à época, milhões de cruzeiros – e outros tantos milhares de votos: a foto escolhida mostra o candidato em primeiro plano discursando, com a multidão ao fundo, como de praxe... Só que olhando para o outro lado. O caso é real, ocorreu com o candidato apoiado pelo ministro das Comunicações Antônio Carlos Magalhães, na eleição para a Prefeitura de Salvador, o liberal Edvaldo Brito, triturado depois nas urnas por Mário Kertsz, do PMDB. É claro que o cartaz não explica por si só o resultado da eleição, mas mostra bem que se a propaganda não elege um candidato, ela é bem capaz de ajudar a derrotá-lo.

O fundamental na eleição é administrar a indiferença – de 60% do eleitorado em média – com que a votação é encarada, e isto diz mais respeito à propaganda do que à política. Política ocorre de uma forma ou de outra os 365 dias do ano, eleição é um fato que ocorre de quatro em quatro anos, regido por uma lógica diferente, mais emotiva do que racional. O eleitorado interessado pelas questões político-partidárias não vai além dos 5% do total, e a parcela capaz de ser atingida pelas relações de favor e de clientela chega no máximo a 35%, segundo pesquisas a que se tem acesso. Ficam 60% à deriva, à espera de uma campanha publicitária que os sensibilize. A tentativa correta de aproveitar as qualidades mais facilmente identificadas nos candidatos como o estilo a ser seguido na campanha pode, no entanto, resvalar para a grossura ou a simples repetição. Embora seja mais comum nas camadas mais pobres da população, o desprezo pelos políticos chegou a uma classe habitualmente cortejada por eles – os empresários. Dispostos a substituir os advogados e fazendeiros que hoje representam a maioria do Congresso, empresários dos mais variados perfis, setores e calibres investem com apetite milionário sobre a Constituinte. “Chega de políticos! Empresários no poder! bem poderia ser o grito de guerra destes novos cruzados do empresariado”, brinca o cientista político René Dreyfuss, autor do mais completo estudo sobre a participação do meio empresarial no golpe de 1964. Dreyfuss alerta, no entanto, que este processo leva em conta peculiaridades regionais e não ter por finalidade derrubar outros setores do patronato, mas sim deter o “aventureirismo direitista”, representado pelas cópias do Paulo Maluf, os setores progressistas e no plano político-eleitoral os modelos do tipo Leonel Brizola. Os empresários têm todo um cuidado ao se apresentar na política, pois procuram parecer em partidos de retórica popular ou mesmo social-democrata. A escolha do PTB pelo maior empresário brasileiro (Antônio Ermírio de Moraes) indica bem este fenômeno, explica Dreyfuss. O cuidado demonstrado pelos empresários com a própria imagem deve ser seguida por todos os que se aventurem na política: a imagem é fundamental. Para atingir a maior parte do eleitorado, é fundamental uma imagem que inspire credibilidade, respeitabilidade e valores deste tipo, mais intuídos que analisados. O estilo amarrotado de quem acabou de sair de uma reunião de trabalho e a fala direta e brusca de Antônio Ermírio de Morais seriam fatais em outro candidato, mas nele se associam à perfeição para reforçar a imagem do sujeito a fim de arregaçar as mangas e trabalhar sem fazer politicagem que ele tenta vender à população.***___Rubens Shirassu Júnior, escritor, pesquisador e pedagogo de São Paulo. Autor, entre outros, de Religar às Origens (ensaios e artigos, 2011) e Sombras da Teia (contos, 2016).




fonte: Rubens Shirassu Júnior



anuncie JBA AREEIRA
»     COMENTÁRIOS


»     Comentar


Nome
Email (seu email não será exposto)
Cidade
 
(Máximo 1200 caracteres)
Codigo
 
Publidicade
zoom
Multivida
High Society
Aniversariou ontem a querida Márcia Cristina Dal Toé, cercada de carinho pela sua linda família recebeu os abraços e as vibrações positivas do seu grande círculo de amizade. Esta colunista deseja felicidades e um ano repleto de coisas boas. Já conquistou o público paulista o artista plástico cacerense Sebastião Mendes, que após expor em Assis, já está articulando sua próxima exposição no Memorial Adélio Sarro em Vinhedo. Sucessos!!! Completou mais um ano de vida Luis Otávio Grassi, que brindou ao lado de familiares, amigos do peito e sua amada Luciane Dantas. Felicidades mil!
Ultimas norícias
Exediente
Versão impressa
High Society
Fale conosco
VARIEDADES
POLÍTICA
POLÍCIA
OPINIÃO
ESPORTES
EDITORIAL
ECONOMIA
CIDADE
ARTIGO
Jornal Correio Cacerense 2015
Copyright © Todos direitos reservados