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Vida que Segue
Data:02/10/2018 - Hora:08h20

Setembro se foi, nos deixando a primavera até a semana do Natal e em algumas cidades, o eco de reuniões com foco preventivo ao suicídio, fenômeno evitável se cuidado a tempo, mas que infelizmente ceifa 32 vidas diariamente no país, média de 1 morte a cada 45 minutos. O advento do Setembro Amarelo foi exatamente discutir formas de se reduzir os suicídios no país, um assunto que já foi um tabu e ainda enfrenta grandes dificuldades na identificação de sinais, oferta e busca por ajuda, justamente pelos preconceitos e falta de informação. Não sou psicóloga para abordar tecnicamente o caso, mas pesquisando as apostilas do curso de geografia onde me bacharelei, relembro a questão da Saúde Mental e o Suicídio no Brasil na disciplina, com a construção de geoindicadores e Índice para Política de Saúde Pública. Faz um tempinho, mas me lembro de um trabalho em grupo com colegas da faculdade e numa pesquisa verificamos, que no Brasil, de 1996 a 2010, quase 120 mil pessoas haviam se suicidado, algo em torno de 22 pessoas/dia, que haviam decidido tirar a própria vida, com taxas mais elevadas nas regiões Sul e Sudeste. As pessoas devem estar se perguntando por que abordei este tema agora e não no mês amarelo findo e a resposta é óbvia, gente, temos sim, um mês de referencia, foco do CVV dos Samaritanos, porém entendo que o ano todo, devemos nos ater a assuntos que versem à defesa da vida, viver é tão bom, não é mesmo? Abordagens à prevenção à mazelas, devem fazer parte de nosso cotidiano, vejam que mesmo com as campanhas, o suicídio está entre as três principais causas de morte entre pessoas entre 15 e 44 anos, sendo a segunda maior causa de óbito dos 15 aos 19 anos. E cediço, que ninguém procura realmente a extinção da própria vida. Tal atitude deve ser considerada um ato extremo de comunicação, a última forma que uma pessoa encontra para fazer com que os outros saibam de seu sofrimento. Então, na minha leiga concepção, a primeira arma contra o suicídio, acontece, quando damos importância à pessoa que está passando por um sentimento de perda ou de qualquer outra ordem, estarmos atentas ao ponto central do suicídio, que é um gesto de comunicação e que mesmo extremo, é um pedido de socorro da pessoa que está no limite. E a gente não pode e nem deve se omitir, nesta hora é ouvir, compreender, dialogar, ajudar a buscar soluções, pois na verdade, o suicídio veicula o desejo de uma pessoa em escapar ou terminar com o seu sofrimento resultante de vários problemas, mas por outro lado, o desejo desta pessoa, é comunicar o seu sofrimento aos outros, buscar uma saída que não seja extrema. E elas existem, já disse que temos uma arma contra este problema, no combate ao sentimento de isolamento, o nosso apoio emocional, ouvindo a pessoa com atenção, mesmo que o que ela tenha a dizer seja doloroso de ouvir. E no lugar de sermões, oferecer opções para superar a crise. Avisar aos demais amigos e familiares de que o potencial suicida precisa sentir que está inserido em uma comunidade, bem como na vida de outras pessoas. Vigilância e muito diálogo, mostrar à pessoa o quanto é importante sua vida para ela e as demais, que Deus é mais e o amanhã será bem melhor, são ótimas maneiras de ajudar o próximo a diminuir o estresse, uma injeção de animo, à Vida, que deve seguir, como diz o meu amigo editor e compositor Lorde Dannyelvis, “porque o hoje sempre será, prá nós o dia de amar e o ontem do amanhã.” Até a próxima terça feira com Vida. ***___Rosane Michelis – Jornalista, pesquisadora, bacharel em geografia e pós em turismo.




fonte: Rosane Michelis



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