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QI novo
Porque sou Apolítica
Data:21/08/2018 - Hora:08h05

Então, gente, estamos outra vez em campanhas eleitorais, 48 dias antes do primeiro turno das majoritárias e proporcionais, (executivo e legislativo) quando novamente somos convocados por um dever cívico, a escolher os deputados estaduais e federais, senadores, governador de Mato Grosso, e presidente da república. Desde que passei a fase adulta, a caminho da idade da razão, me revelei apolítica, adotando a filosofia da valoração política social, claro, que distante do clichê Sarneyano e Collorido, dos anos 80, de Tudo pelo Social, balela demagoga. Nesta minha visão, a política social deve ser aquela voltada à cidadania plena da comunidade que paga por isso e não chavões típicos de campanhas, que morrem nas gavetas pós urnas. Relembrando a década de 80, em 1982 eu era ainda uma menina chegando na adolescência, mas me lembro dos meus pais falando em política naquele 1982, Cáceres assim como demais cidades do estado, em efervescência. Era a primeira eleição direta após a divisão de Mato Grosso, o que acirrava ainda mais os ânimos dos eleitores, palpitosos, conversadores durante as visitas, uns apoiando Julio Campos, outros, o Padre Raimundo Pombo, eu e a mãe, éramos mais simpáticas ao padre. Ainda mais que ele era do PMDB e a nossa Mami, Dona Orfélia, além de filiada, fora uma das fundadoras do partido de oposição a Arena em Cáceres, quando o partido ainda era MDB. Naquela época, Mato Grosso tinha só 61 municípios, chegando aos 141 após a emancipação dos distritos que eram mais que os municípios propriamente ditos e o colégio eleitoral pouco mais de 580 mil votantes. Eu que não teria idade prá votar nem na próxima eleição, ficava ouvindo mamãe e as comadres elogiando o Padre Pombo, que não tinha fama de político, sem rejeição, era visto como alternativa de mudança num estado conservador, recém-dividido e liberto do regime militar assim como o restante do país, depois de quase duas décadas de ditadura. O povo segundo a gente ouvia das visitas na sala, teria seu primeiro governador eleito depois dos biônicos nomeados, como José Fragelli, Garcia Neto e Frederico Campos, então era a hora de começar com um homem do povo. Nas esquinas se falava no Padre Pombo, que se conversa elegesse alguém, ele já estava lá, e, olha, que até surpreendeu a força dos Campos, com uma diferença de pouco mais que 14 votos de diferença para o Julio; que me lembro, foi empurrado pelos militares e com apoio do então governador Frederico Campos e respaldo da cuiabania, se elegendo com mais de 200 mil votos. Muita água do Rio Paraguai e afluentes passou debaixo da ponte Marechal Rondon e 36 anos depois, cá estamos outra vez diante de uma nova eleição, claro, com os modernismos legais, ficha-limpa e outros que tais, desnecessários naquela época. Apesar de pré-adolescente já entendia um pouco dos movimentos políticos locais e regionais, pois sempre fui curiosa e lia bastante e comparando com a moderna política do século XXI, sinceramente, mesmo com os esquemas viciosos e nefastos que envolvem o sistema, a evolução foi pra pior. Dezenas de partidos, oportunismos gerais, fake-news viralizando nas redes, promessas mirabolantes e demagógicas, profissionalismo político, não dá pra gente levar a sério uma eleição atualmente, daí, acredito, o alto índice de votos nulos, brancos e abstenções. Com certeza, o porquê de ser apolítica, porque amo minha cidade, meu estado, minha pátria e não acredito em falácias e milagres, exceto os de Cristo. ***___Rosane Michelis –Jornalista, pesquisadora, bacharel em geografia e pós em turismo.   




fonte: Rosane Michelis



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