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JUBA
Os cowboys de Hollywood
Data:29/06/2018 - Hora:09h08

A aparência atual do gênero está mais para caubói hollywoodiano, o som sai de guitarras, teclados e apresenta batidas eletrônicas, as letras são melosas, românticas e medíocres. Mas, na origem de toda música sertaneja estão as duplas de música caipira do início do século. Percebe-se que houve um processo de canibalização das tradições pelo mercado da cultura de massa. Como a indústria cultural absorve a música caipira para transformá-la em sertaneja? É um processo que se iniciou em 1929, no século 20, quando a música caipira foi gravada pela primeira vez. Cornélio Pires pegou então a música folclórica cantada por duplas no interior e a formatou nos moldes da indústria cultural, limitando o tempo de gravação. Ao perceber que se tratava de um estilo comercialmente atraente, as gravadoras da época passaram a investir na música caipira, mantendo as bases de música folclórica adaptada. Mas essa adaptação ainda não distorcia o estilo? Não, a distorção inicia-se no final da década de 40, com a incorporação de estilos como o rasqueado, do Paraguai. A partir daí, a música caipira passou a incorporar uma série de influências de gêneros latinos, e em seguida, nos anos 60, do Rock, especialmente da presença da guitarra, que faria a grande transformação no final dos anos 70 rumo ao sertanejo.

A partir do momento em que a indústria cultural começou a perceber que se tratava de um estilo vendável e que, quanto mais incorporasse influências externas, mais se tornaria pop e atraente, esse processo de distorção se acelerou. O processo deu-se naturalmente, vindo dos próprios artistas, ou foi algo imposto pelo mercado? No início foi natural, mas a partir da década de 80 ficou bem clara a intenção de ser vendável. A indústria fonográfica, as rádios, percebendo que a introdução especialmente de guitarras e teclados tornava o estilo muito popular, passou então a explorá-lo. Isso coincide historicamente com a ascensão da classe média, que se tornaria consumidora do estilo já completamente transformado. A dupla que fez essa transição de forma mais marcante foi Chitãozinho e Xororó, que inaugurou a virada para o sertanejo. O que fica da origem caipira nesse estilo transformado? Praticamente apenas o canto em duas vozes. A indústria cultural transformou o discurso, o ritmo e tudo o mais, criando um estilo romântico, cantando num formato de duas vozes, assim como o caipira. E a mudança para um público mais urbano, como se dá? Desde o surgimento, a música caipira é a representativa de uma diáspora do campo rumo à cidade, à periferia. A partir dos anos 80, ela assume um público classe média completamente urbanizado. Essa modernização se contrapõe à idéia do Jeca Tatu, aquele que não se adapta ao progresso. O Jeca original, o caipira, assume um discurso até hoje em busca da simplicidade na vida, mesmo sem o atraso pejorativo que se atribui a ele. A música sertaneja, por outro lado, tenta contradizer esse Jeca dizendo que ele evoluiu: hoje anda de picape, participa de rodeio, usa chapéu de caubói... Qual o lugar social do caipira hoje? Até hoje ainda há muitas pessoas envolvidas com o que a indústria chama de música de raiz – termo do qual discordo, uma vez que, como diz Antonio Candido, o caipira é transitório, sem ter terra, sempre fronteiriço, híbrido, entre o urbano e o rural. As pessoas que optam pelo caipira hoje buscam manter a tradição, o discurso original, da simplicidade voluntária. Criticam a opção declaradamente comercial do sertanejo. A defesa da tradição é também nacionalista, em oposição ao “americanismo” do sertanejo? Sem dúvida. Eles defendem a própria cultura reclamando da incorporação do que vem de fora. O sertanejo se diluiu tanto nessas influências que muitos artistas acabaram por voltar a essas origens, a fim de resgatar suas referências, por mais que voltem a desfocá-las logo em seguida. O músico sertanejo, então, não rejeita o caipira como o caipira o rejeita? É uma relação de respeito e ancestralidade. E o caipira permite a evolução do seu estilo ou fica preso à pureza de origem? Permite, sim, de forma bem mais lenta, mantendo o discurso original e sem desvirtuar essa origem.*Rubens Shirassu Júnior, escritor e pedagogo de Presidente Prudente, São Paulo. Autor, entre outros, de Religar às Origens (ensaios e artigos, 2011) e Sombras da Teia (contos, 2016)




fonte: Rubens Shirassu Júnior



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