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Outra face da Censura
Data:17/05/2018 - Hora:08h34

Há 15 dias um escritor e historiador teve um capítulo do livro censurado pelo editor, no fechamento da edição para impressão, o empresário alegou que investe em ações de grandes corporações citadas na ficção do autor. Como produzo literatura e análise crítica estou com a “pulga atrás da orelha” sobre o meu direito de escrever com liberdade - e todos os cidadãos brasileiros têm uma ameaça concreta pesando sobre a liberdade de expressão. Nem todos, porém, sabem o que está ocorrendo. Sempre existiu tendência repressiva contra as obras de arte que espalham a realidade social. Assim, os problemas sociais são atacados na sua expressão artística e não mais nas suas causas efetivas. Levanto algumas pontas dos véus negros que costumam cobrir esses atrapalhos do poder. Porque, a aplicar-se o mesmo critério, deveria mandar-se apreender toda a grande literatura mundial, em que os autores descreveram situações que envolviam figuras infantis, desde um William Shakespeare, passando por Lewis Carroll até Wladimir Nabokov. Isto não é nada, comparando-se a todos aliciadores que manipulam meninas de 12 anos nas esquinas do Brasil. São as cenas reais e terríveis que muitos pais fazem vista grossa pela fome de pão e aconchego, retrato da indústria da carência. Nem tanto erudito, mas sensato, acrescento que nem a Bíblia, na chamada Vulgata Latina, escaparia de condenação, já que nem a língua casta de Jerônimo disfarça o tratamento obsceno com que foram violentados os anjos em Sodoma ou o lenocínio de Mardoqueu, no livro de Ester.

E vejo na proibição uma ação profundamente farisaica. Para o psicanalista Hélio Pelegrino, “a tarefa do escritor é trabalhar a língua em nome da comunidade” e esse ofício deve ser estimulado e garantido pelo Estado, através de uma absoluta liberdade de expressão. De outro lado, não foram poucos os que viram nas cenas de nu jogos sensuais e narcisismo exacerbado ou a forma gratuita, além de normal, de temas como a gravidez precoce, entre outros. Imoral, acima de tudo, é a intolerância. Trata-se de um tiro no pé, pois a sanção volta-se contra a intolerância e consagra a liberdade de expressão. Não temos lembrança de quem proibiu James Joyce, Gustave Flaubert. D. H. Lawrence, Marcel Proust, entre outros casos famosos. Mas os censurados tornaram-se inesquecíveis.

A reação do leitor, do internauta e do telespectador brasileiro tem sido a solidariedade. País de fortes tradições católicas, parece haver um consenso que leva a dar atenção ao que sofre, confortá-lo com a nossa piedade. Claro que são de diversa natureza os motivos que levam o público a procurar o que foi proibido, desde os tempos imemoriais do paraíso terrestre, onde o fruto proibido era o mais apetecido (e continua sendo), mas no geral constata-se uma atenção toda especial para com o censurado. Ao contrário do que poderia esperar a censura, o livro ou as cenas de cinema, novela ou teatro adquirem um charme adicional com a proibição. O estigma funciona ao contrário. Como se vê, os critérios são vagos e são os costumes que realmente cumprem a função de interpretar as leis. Uma curiosidade cruel: essas diversas censuras sempre perseguiram os contemporâneos, excluindo por norma, os clássicos. É claro que a história não demora muito a transformar contemporâneos em clássicos mas, enquanto isso não ocorre, nenhum espírito por mais conservador que seja vem a indignar-se quando lê a palavra whore ou bitch (“puta”) em Shakespeare. ***___Rubens Shirassu Júnior, escritor e pedagogo de Presidente Prudente, São Paulo. Autor, entre outros, de Religar às Origens (ensaios e artigos, 2011) e Sombras da Teia (contos, 2017)




fonte: Rubens Shirassu Júnior



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Tim tim a querida Maria Arruda Moura, que comemora ao lado do maridão Lécio (foto) mais um ano de vida. Que Deus lhe abençoe e proteja sempre. Que em todos os dias da sua vida você seja muito feliz ao lado das pessoas que te amam. Parabéns!!! Destaque especial com votos de um final de semana iluminado ao casal Ibraim e Alzira Pires Atala, que contagiam pela simpatia e amabilidade. Esbanjando charme  a linda Jéssica Castro, que embeleza nossa High Society hoje. Grande abraço extensivo a todos da Floricultura Joia Viva.
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