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Geopolítica & Fome
Data:03/05/2018 - Hora:13h16

O livro Geografia da Fome do geógrafo brasileiro Josué de Castro, publicado em 1946, ou seja, mais de duas décadas antes que esta geógrafa jornalista viesse ao mundo, definia já naqueles tempos, década de 40 do século passado, o conceito de fome utilizado em toda a sua obra, além de identificar as áreas de fome endêmica e epidêmica no Brasil. Óbvio, que como uma acadêmica CDF, eu li tanto a Geografia como a Geopolítica da fome de Josué de Castro, com seus intensos trabalhos no sentido de mapear toda a distribuição e concentração da fome no Brasil. Extra-classe, eu discutia assuntos de aula com colegas e concordávamos com o autor, que realmente, a fome não decorria de influências climáticas ou, de que tal processo era culpa da improdutividade da população que optava pelo ócio, argumentos bastante populares ainda hoje. Aquele papo de, fulano passa fome porque não quer trabalhar, porque é vagabundo e coisas afins, conversê de gente que com certeza nunca precisou se ralar pra comprar um prato de comida e a gente nem vai perder tempo com este tipo de raciocínio doentio. Quero sim, aqui, analisar minhas conclusões de 20 e poucos anos quando li e devorei o Geografia da Fome e o analiso agora, 71 anos após ele ser escrito e vejo que pouca coisa mudou neste conceito. Enquanto uma corrente diz que a fome provém da falta de alimentos que atinge um número elevado de pessoas no Brasil e no mundo, outra afirma que a produção global atual é mais do que suficiente para suprir as necessidades calóricas de cada um dos 7 bilhões de indivíduos da população mundial. Discordâncias a parte, ambas correntes coadunam com meu pensamento de que, o que acontece é que há uma séria deficiência no sistema de distribuição dos recursos necessários para se ter acesso à alimentação; fenômeno que acontece principalmente, nos países em desenvolvimento e áreas rurais em que a infraestrutura é precária e a conexão com os centros urbanos é difícil. Só pra finalizar que meu espaço é curto, de 1946 quando Josué de Castro mexeu na ferida, das minhas análises de final do século XX, quando buscávamos elementos na área de geografia humana sobre o problema, a situação critica por que passa o país atualmente, pouco ou quase nada mudou. Apesar dos grandes avanços econômicos, sociais, tecnológicos, a falta de comida para milhares de pessoas no Brasil continua, resultado da desigualdade de renda, que faz com que cerca de 32 milhões de pessoas passem fome e mais 65 milhões de pessoas não ingira a quantidade mínima diária de calorias, ou seja, se alimentam de forma precária. O que a gente pode fazer para mudar este macabro quadro social, seria uma forma de complementar o estudo que não nos compete materialmente, porém, racionalmente, na hora de escolher nossos representantes, sim. As eleições estão chegando, hora de agir, de separar o joio do trigo, acreditar em neófitos sem vícios políticos e depois, cobrar, afinal, eleitos, são pagos para defender o povo e suas necessidades, acredito, a mais essencial, a dignidade, que se esvai quando a fome chega; Chega, né?***___Rosane Michelis – Jornalista, bacharel em Geografia e Pós em Turismo. 

 




fonte: Rosane Michelis



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