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Data:25/04/2018 - Hora:08h46

Não somos uma cidade e um país desenvolvidos. Portanto, se quisermos imitar a política dos países de ponta vamos pagar um preço histórico enorme. Os problemas locais e brasileiros mais importantes são de natureza social. E são estruturais. Não são resolvidos pela lei do mercado, a lei do mercado só pode agravá-los. Há muita gente ingênua declara a necessidade de modernizar a cidade e o Brasil. Ora, o país é demasiadamente moderno. Basta ver a TV e a internet brasileira: meios de comunicação modernos. E um segmento que pensa que a miséria conduz à revolução. As tensões sociais são maiores no Estado de São Paulo e ganham outra dimensão ali onde a população se organizou já dentro de uma estrutura social (tipo de agrovilas e cooperativas) bem mais avançada, como é o caso do Sul. Entender a cidade onde você vive e o Brasil... Pode-se dizer isso de diferentes modos. Em primeiro lugar, é preciso entender a história da cidade onde moramos e do Brasil. Em segundo lugar, é preciso conceituar, elevar tudo isso a um plano abstrato. E aí é preciso uma teoria própria, específica. O grave em Cáceres, Sobradinho e no Brasil, é que os especialistas passam por livros técnicos que ignoram as diferenças regionais, do país e dos Estados Unidos, por exemplo. É preciso estudar a história e depois ter uma teoria do subdesenvolvimento local e nacional, que explique o que é próprio de uma economia cuja industrialização tenha sido atrasada. O problema do subdesenvolvimento é isso, atraso. Num país em que a memória e a ignorância são cultivadas por motivos geopolíticos muito óbvios, esta parece uma inglória missão.

A cidade e o Brasil acumulam atraso porque não estão capitalizando, não estão fazendo investimento em educação, profissionalização, geração de empregos, cultura e saúde. O que ocorre em certos setores da indústria é que tentam tirar vantagem do que a cidade, a região e o Brasil têm de mais barato, mão-de-obra, com uma tecnologia que corresponde a certas condições. A realidade social e histórica é outra. É preciso ver antes a sociedade e a história, depois a economia, e não o inverso. Houve acumulação de capital enorme nos últimos cinqüenta anos. Mas persistiram problemas estruturais enormes, ou problemas sociais. Existem sociedades que não investiram no fator humano: A passividade da população influenciada pelo ranço da ditadura, pelos dogmas, fundamentalismos e o ecumenismo das religiões ou seitas. Sua inaptidão para organizar-se na ação política, seu profundo sentimento de insegurança, levando-a a buscar proteção, contribuíram para implantar o imobilismo social e a estagnação econômica. A rígida hierarquia social e o monopólio da informação em mãos de poucos explica a arrogância e o autoritarismo da classe dominante. Creio que o problema dos profissionais assimilarem a condição de operadores do sistema, esquecendo da parte reflexiva. Tornaram-se como os engenheiros. Essa mutação ocorreu justamente neste período todo em que o Estado assumiu novas responsabilidades econômicas. Então, o papel de alguns profissionais dentro do Estado passou a ser o papel de operador, não mais de um ser pensante. Hoje em dia, temos um país como o Brasil, com todo este desequilíbrio, e certos técnicos se limitam a bricolar, como se diz em francês, a querer remexer e consertar detalhes. Não há mais uma reflexão global. Quer dizer, a reflexão global sobre a sociedade, esse papel decisivo para o intelectual, já não me parece mais uma tarefa para os economistas.

Eles abdicaram do seu papel de intelectuais. Criou-se uma espécie de profissionalização limitadora. A sociedade oferece a eles um preço muito alto e tantas vantagens que eles entraram nessa. E é um pouco natural. Bastaria que 5% dos economistas não obedecessem a isso e já estariam exercendo um grande papel, o que é preciso é que existam esses 5%, mas a maior parte deles são operadores sociais que desempenham um papel similar ao dos engenheiros. Papel necessário, sem dúvida, mas insuficiente. Nesse sentido, voltamos a uma frase de Celso Furtado, também obsessiva: “As elites deveriam antecipar o consenso social e de certo modo abrir caminho para que ele se realize...” As elites desempenham vários papéis. Há aqueles que vestem a farda do seu segmento social perfeitamente. Isto entra na questão da consciência moral, de um dever social.***___Rubens Shirassu Júnior, escritor e pedagogo de Presidente Prudente, São Paulo. Autor, entre outros, de Religar às Origens (ensaios e artigos, 2011) e Sombras da Teia (contos, 2016)




fonte: Rubens Shirassu Júnior



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