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De política não se cansa
Data:05/04/2018 - Hora:08h26
De política não se cansa
Arquivo Pessoal

Não podemos nos cansar de discutir sobre política, tampouco de sermos políticos. Não é de hoje que tantos professores, pesquisadores, pensadores e intelectuais brasileiros vem falando por todos os cantos sobre a necessidade de colocarmos a política na pauta de nossas preocupações e prioridades. E falam não por interesses escusos, não por uma pretensa conspiração, como alguns anunciam. Falam, na verdade, com o objetivo de nos alertar para o fato de que possíveis conquistas (ganhos) em direitos e, principalmente, em dignidade, ocorrem, com a necessária profundidade, a partir da política.

Sei que, ultimamente, diante do caos manipulado e do ódio poluindo não só a atmosfera, mas nossos corações e almas, o contexto não está muito favorável para levantarmos a questão. Se o mato não está para cachorro, quanto mais para nós, que volte e meia tentamos, de algum modo, provocar o debate político em nossas atividades e ações cotidianas.

Não está fácil. O desinteresse está grande e as frustrações não são poucas também. É, eu sei. Mas ó, o caso pede teimosia, e uma teimosia maior do que aquelas birras que fazíamos na infância. Uma teimosia que nos estimule a nos contrapormos à demonização da política, como se ela e tudo que vem dela não valessem de (e para) nada, como se pudéssemos, e aqui temos uma das cerejas do bolo, misturar a política, seus cantos e encantos, seus avanços e recuos, seus diálogos e compartilhamentos, suas concordâncias e discordâncias, com o que fazem dela. Não é a política que temos que condenar. Ao contrário, é a política que temos que continuar apoiando e alimentando. É ela que nos ajuda a seguir avançando em nossas conquistas de cada dia por cidadania (ela é o nosso pão). Olha só, já que estou tocando nessa questão, preciso situar a real, cidadania sem política é mais do que um conto da carochinha, é uma completa ilusão, um discurso de ocasião, vazio, deslocado e superficial. Agora, quando aliada à política, gente do céu, a história é outra, a cidadania passa a reunir forças e inteligências, contagiando e mobilizando a todos a promover e a sustentar transformações. Até porque, parafraseando alguns estudiosos de referência no assunto do nosso país: nós não nascemos cidadãos, nós nos

tornamos cidadãos. Sim, vejam, a cidadania não é dada, é construída, e é a política que nos orienta nesse processo.

Acho que poderíamos fazer um pacto. Um pacto sobre a e a favor da política, na linha do que já está sendo feito com os direitos humanos. Talvez soe ingênuo, no entanto, ingênuo ou não, está mais do que na hora de começarmos a assumir posição em razão do que queremos enquanto sociedade que vive e – não sei não, mas pelo que me parece –, infelizmente, aprendeu a conviver, com realidades desiguais, injustas e precárias. Humanidade que é bom, “vish”, passa longe, ética então, “oxe”, está a léguas de distância. Assumir posição, nesse sentido, voltando ao ponto, é, em primeiro lugar, não conceber a política como um terreno hostil, desaconselhável, em que só há inimigos. A disputa é e deve ser outra, e o nível também dessa disputa é e deve ser outro. De modo a entender e a superar nossas angústias, são ideias que devemos confrontar e analisar; ideias que precisam ser colocadas sobre a mesa com seriedade, sem achismos, sem senso comum, sem fundamentalismos e extremismos, sem oportunismos, sem incitação à violência e ao medo. Afinal, é de política que pretendemos tratar ou de um filme de terror? Assumir posição é, em segundo lugar, estar disposto a respeitar à diferença, levando-se em consideração que a coletividade que formamos é diversa, colorida, plural. E já digo logo, não me refiro a um respeito fruto de um moralismo barato, embusteiro, contraditório, muito menos a um respeito fruto de uma tolerância falsa, preguiçosa e egoísta. O respeito que me refiro não é o do isolamento ou o da reserva, mas é o respeito das possibilidades de interações. O respeito não deve nos afastar, mas nos aproximar. Por que nos afastar se estamos no mesmo barco? E falando em barco, é hora de remar.

Assumir posições é, em terceiro lugar, discordar e se opor a manifestações e condutas que, como resultado prático, apenas tendem a diminuir e a negar o outro, não admitindo, minimamente, a sua existência. É também, alongando mais um pouquinho, discordar e se opor a manifestações e condutas que, de forma ardilosa, usam a democracia, quando convém, como um escudo de defesa, para disseminar distorções e inverdades e apagar do alcance de nossos sentidos, as causas reais dos problemas que devemos combater e dos desafios que devemos enfrentar. Sobre isso, eu fico me perguntando: como acreditar em manifestações e em comportamentos que se valem das próprias bandeiras democráticas para se legitimarem, mas que, pelo palavreado despejado e pelas práticas demonstradas, é possível observar que não possuem qualquer apreço pela democracia, pois adotam como ponto de partida e de chegada, dentre outras sandices, um discurso único, dito puro, neutro e salvador, que se reinasse sufocaria qualquer som e atitude dissonante. E, por fim, assumir posição é, em quarto lugar, compreender que somos políticos. E ser político não significa ser ou parecer ser tudo de negativo que plantaram, a mídia sobretudo, em nossas mentes ao longo dos anos. Ser político não quer dizer que somos corruptos, que temos um caráter duvidoso ou uma índole perversa. Não, está para muito além. Ser político, além de tudo o que já dissemos até aqui, quer dizer que somos sujeitos de nosso tempo, de nossas circunstâncias, de nossas vitórias e derrotas, que acreditamos em nossas potencialidades e que por isso mesmo é possível trilhar novos caminhos. E mais, ser político é estar aberto a novas experiências, ao desconhecido, ao hoje e ao porvir. Ser político é amar o chão que pisamos e, a cada passo dado, contribuir para que outros também consigam fazer o mesmo.

Como comecei, termino, pelo menos por ora, não podemos nos cansar de discutir sobre política, tampouco de sermos políticos. ***___José Ricardo Menacho - Professor do Curso de Direito da Unemat/Cáceres




fonte: José Ricardo Menacho



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