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Nada sempre foi, é, ou será
Data:27/09/2017 - Hora:08h18
Nada sempre foi, é, ou será
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“Ele olhou para o Horizonte, e o Horizonte, não sei como, também olhou para ele. Olhou para ele, não para assustá-lo, não para aterrorizá-lo, mas para lhe mostrar, a partir da imensidão de cores, de cheiros, de sabores e sentimentos que o caracterizam, que é possível pensar, ser e sonhar diferente, que é possível, tendo ou não já passado muito tempo, trilhar caminhos novos, bem fora dos traços costumeiros (do que se repete sem questionamento, do que passou a ser automático), que é possível abrir novos trieiros pelas matas, navegar até mesmo por mares e rios já conhecidos, como se fosse a primeira vez – respirando outros ares, recebendo no rosto outras brisas – enfim, que é possível, no dia a dia, sem hora marcada, sem cobrança e sem pressão, revisitar a si mesmo” [...].

Há momentos em que precisamos revisitar algumas de nossas visões e formas de ler o mundo – nada sempre foi, sempre é, ou sempre será – e quanto mais nós nos lançarmos nesse exercício – o de revisitar – passaremos não apenas a nos despertar para uma compreensão mais sensível do que está à nossa volta, mas também a despertar para uma compreensão mais sensível de nós mesmos, do que somos, do que queremos e do que não queremos – não há maior grandeza do que conhecer e saber ouvir, para além do que vão dizer, para além das externalidades, os nossos mais íntimos sinais.

Quando nos permitimos revisitar o que carregamos conosco – pensamentos, opiniões, teses das mais diversas, comportamentos, posicionamentos, declarações, gostos, afirmativas e negativas – enriquecemos nossas experiências, pois, dentre outras possibilidades: desestabilizamos nossas zonas de conforto, que, em boa medida engessam nossas práticas e nos impedem de muitas vezes dar passos mais ousados pelo desconhecido; tencionamos nossas supostas verdades, colocando seu caráter absoluto em xeque; e passamos, sem maiores traumas, a entender que somos falíveis, que erramos (ou podemos errar), que nem sempre somos tão precisos como nós nos cobramos, ou como os outros nos cobram, e que isso não nos torna melhores ou piores do que ninguém.

Sabe, não são propriamente as nossas limitações que nos limitam, que retiram nosso ânimo de arriscar e de apostar, todos temos alguma ou algumas, inúmeras, às vezes, de diversas ordens, espécies, intensidades e origens, não é também a quantidade em si ou o tipo de limitação que nos trava, que freia o nosso avanço, ou quando, por “milagre” (exagero meu, é claro), já avançamos um pouquinho, faz-nos recuar, voltar ao casulo, mas é a vontade ou não de encará-las, de entendê-las, de superá-las.

Mas o que seria revisitar? E para sermos mais práticos, como revisitar? Revisitar exige fôlego. Não é muito agradável querermos reencontrar com situações que, por algum motivo, preferimos, no passado, não encará-las de frente, e a fim de continuarmos não as encarando no presente, decidimos escondê-las em algum canto de nossa mente. Da mesma forma, não é muito agradável termos de abalar nossas certezas, chocar nossas convicções, apimentar nossos conservadorismos, desconstruir nossos planejamentos, dialogar com o que, ou com quem, por puro preconceito, causa-nos aflição. Por isso eu disse: revisitar exige fôlego. Mas acrescento: não é nada de outro mundo, não é nada que nós não possamos fazer, se assim escolhermos e se assim desejarmos.

Revisitar não é voltar ao passado, a fim de mudar o que acabou não dando muito certo, tampouco, a partir de um saudosismo descontrolado, almejar que tudo seja como antes, que o passado se faça presente e que o que foi seja. Na mesma linha, revisitar não é buscar justificativas simplórias e rasas no passado, para explicar o que ocorre no presente, como se a sucessão de fatos que dá sentido às nossas vidas se desencadeasse numa linha reta, obedecendo uma única direção, em que o antes sempre legitima o depois, num círculo sem fim.

Misericórdia. Vaya, vaya, se tudo isso fosse revisitar não caberia nem perdermos muito tempo com esta, com outras, ou com futuras discussões sobre o assunto, até porque, mudança alguma resultaria, seria, em realidade, mais do mesmo, uma vida que se desenrolaria como num constante remake: poderiam aparecer novos personagens, novas falas, quem sabe, mas a história, o enredo e a trama não teriam novos contornos.

Revisitar é considerar, criticamente, o que foi e o que está sendo, suas implicações e efeitos, como um ponto de partida (ou como um recomeço) para as chances, aventuras e desafios que se apresentarão, ou que já começam a se apresentar, no agora, um agora que segue em construção, um agora que não

está acabado, determinado, moldado, um agora que pode ser inventado e reinventado incontáveis vezes. Revisitar é reler, reler o mundo, reler a nós mesmos, reler não para julgar, para depreciar, para hierarquizar, mas reler para reinterpretar, para reavaliar estratégias, para reprocessar episódios cujos resquícios ainda nos azucrinam sutilmente, às escondidas. [...] “Ele, fascinado, e, ao mesmo tempo, aturdido, pela imensidão de cores, de cheiros, de sabores e sentimentos que viu, levantou-se, sacudiu a poeira de seus pés, e foi, passo a passo, ao seu encontro, não de qualquer Horizonte, mas do seu” [...]. ***___José Ricardo Menacho: Professor do Curso de Direito da Universidade do Estado de Mato Grosso (Cáceres), autor do livro “O Plural do Diverso”.




fonte: José Ricardo Menacho



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