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Os 3 Hinos Nacionais
Data:07/09/2017 - Hora:08h16

Por trás do Hino Nacional que o Brasil ouve e canta hoje, existe uma história fascinante e pouco conhecida. A melodia vem do Império. A marcha do Hino Nacional que o Brasil ouve hoje é a mesma que dom Pedro II ouvia nas cerimônias oficiais. Ela foi concebida por volta de 1830, pelo maestro Francisco Manoel da Silva. Os versos atuais, por sua vez, são a terceira versão a acompanhar os acordes de Manoel da Silva. A primeira letra do Hino Nacional tratava da abdicação de Dom Pedro I, em 1831. A segunda letra veio em 1841, por ocasião da coroação de Dom Pedro II. Os versos exageravam na bajulação ao soberano. Em 6 de setembro de 1922, o presidente Epitácio Pessoa assinou a lei que oficializou os versos pomposos do poeta Joaquim Osório Duque-Estrada, que começam com “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas”, como aqueles que devem acompanhar a melodia composta quase um século antes por Manoel da Silva. Duque-Estrada compusera a letra havia muito tempo, em 1909. Foi a pressão da chegada das comemorações do centenário da Independência que fez o Congresso aprovar o projeto de lei que Epitácio Pessoa sancionaria na véspera do Sete de Setembro. Com o apoio da historiografia, a República fez um esforço tão grande para sacralizar e imortalizar a sua própria versão do Hino Nacional que acabou apagando toda a história da composição e levando a um completo esquecimento do passado, diz o professor de história da música Avelino Romero Pereira, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Ao longo do Brasil monárquico, o Hino Nacional teve duas letras diferentes (uma de 1831 e outra de 1841), ambas acompanhando a mesma melodia triunfal que é tocada hoje em dia. As versões do Império, no entanto, não eram feitas para a voz dos súditos comuns. Apenas os cantores profissionais dominavam a técnica para entoá-las. A razão é que os versos antigos eram bem mais curtos do que os atuais. Experimente, no canto, substituir “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas” por “Os bronzes da tirania” (1831) ou “Quando vens, faustoso dia” (1841). Não dá certo. É preciso fazer um contorcionismo vocal e esticar quase todas as sílabas.

A primeira letra foi redigida pelo poeta e juiz Ovídio Saraiva de Carvalho, em comemoração à abdicação de Dom Pedro I, em 1831. Os versos do primeiro Hino Nacional eram raivosos no ataque aos portugueses. Na música, eles apareciam como “monstros” que agiam com “tirania” e se alimentavam de “nossas virtudes, nosso ouro”. A letra chegava a propor que o Rio de Janeiro, a capital do Império, passasse a se chamar “Rio de Abril” referência a 7 de abril, a data da abdicação. Essa versão foi abandonada em 1841, quando um autor desconhecido compôs a segunda, para celebrar a chegada de Dom Pedro II ao trono, após uma década de Regência. Da primeira versão, ele manteve o refrão. A nova letra exaltava exageradamente o soberano. O poeta chamava o novo imperador de “ventura do Brasil” e dizia que era impossível “negar de Pedro as virtudes”. Como é do conhecimento de todos, o hino nacional brasileiro, ainda continua com palavras sofisticadas, que a maioria não sabe bem o que está cantando, mas vale a intenção. ***___Ricardo Westin. 




fonte: _Ricardo Westin.



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