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Para novos amanheceres aqui ou acolá [SEGUNDO ATO]
Data:16/08/2017 - Hora:13h12
Para novos amanheceres aqui ou acolá [SEGUNDO ATO]
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Que cidade nós queremos? Que tipo de progresso desejamos? Como me manifestei no primeiro ato do texto “Para novos amanheceres aqui ou acolá”, antes mesmo de nos filiarmos ou nos afiançarmos aos receituários existentes, seria necessário nós prepararmos nossas mentes e espíritos para o próprio desenvolvimento em si, e isso seria possível, como também me manifestei na ocasião, a partir de um exame de consciência coletivo e de um amplo debate popular, cujas interlocuções e reflexões considerassem quem nós somos, nossas identidades, nossas vocações, nossas potencialidades, nossas capacidades, para, daí então, fazermos escolhas mais coerentes, mais plurais e mais democráticas do que realmente queremos e do que realmente desejamos. Já está mais do que na hora de, pelo menos, imaginarmos um projeto de cidade, que seja desvinculado do efeito manada, aquele em que apenas se segue o fluxo, independentemente de se saber o ponto aonde se quer chegar, e o pior, independentemente de se saber o preço social a ser pago.

Retomo a proposta, que, registro, ainda explorarei em um terceiro ato, colocando-me novamente na discussão, não apenas como parte interessada, mas também como parte envolvida, como parte que concorre para os fatos que se está disposto a tratar, porque é momento de inserirmos mais um tempero nesse caldeirão: os jovens, aqui compreendidos pelas crianças e adolescentes, personagens que, historicamente, tiveram suas inteligências – e assim seguem – afastadas do processo de construção da cidade.

Comecemos então por desmistificar a lenda de que os jovens são o futuro de alguma coisa. Alguns não gostarão muito da ideia, sobretudo aqueles que já incorporaram esse que considero um dos mais inúteis chavões que já criaram, mas, enfim, não é possível agradar a todos. Sinto lhes informar, mas de acordo com a dinâmica social em funcionamento, os jovens, e me refiro à grande massa de jovens mesmo, não são – e não serão – o futuro de nada! Chega de reproduzirmos, gratuitamente, mais essa ilusão. Trata-se de um discurso vazio, sem eira nem beira, que alimenta falsas esperanças, tal como aqueles já batidos de investimento em educação ou de apoio aos menos favorecidos que, sem responsabilidade, como se fossem assuntos banais de elevador, corriqueiros de

boteco, despejam por aí. E me explico, para não deixar ponto sem nó, que qualifico como sendo um discurso vazio, pois se limita aos efeitos, aos impactos a serem causados em seus ouvintes, não se importando muito com os conteúdos que carrega ou, para ser mais realista, com os meios necessários para torná-lo crível. Em resumo, são palavras ao vento, nada mais. Eu, particularmente, cresci ouvindo essa ladainha. Não nos esqueçamos de que não há futuro sem o presente, óbvio, não? Nem tanto assim. Para muitos, parece-me que o futuro vem antes do presente, só pode! Na conta de nossos vícios, continuamos a apostar as nossas fichas de que no amanhã, de que no porvir, como num passe de mágica, somente pelo transcurso do tempo, nossas aflições se resolverão, encontrarão soluções outras, e, para os mais otimistas, desaparecerão por completo, mas só apostamos, viu? Não tomamos medida alguma a fim de garantir a concretização de nossas supostas ambições. Ladrilhar o caminho que é bom, ninguém quer. Pura contradição!

Futuro? Que futuro? Onde estão as crianças e os adolescentes como partícipes ou destinatários de tudo que se discute (ou do que deveria ser discutido) a respeito do espaço urbano que também ocupam? Onde estão as crianças e os adolescentes narrando seus gostos e vontades para o bairro em que vivenciam suas rotinas, para as praças que frequentam ou para os parques que sonham em frequentar? Onde estão as crianças e os adolescentes na construção e definição de uma política cultural municipal, menos ensimesmada e elitizada e mais diversificada e acessível? Onde estão as crianças e os adolescentes no desenrolar dos pleitos eleitorais? Participando, fugindo ou odiando? Onde estão as crianças e os adolescentes na gestão escolar? Próximas? Distantes? Ou indiferentes? Onde estão as crianças e os adolescentes nos processos de ensino-aprendizagem? Refletindo? Criando? Pensando? Decorando? Ou, simplesmente, marcando um “X”? Torno a perguntar. Futuro? Que futuro? Não, não é do futuro que estamos falando, é do início do fim.

Dizem, talvez como uma defesa, ou talvez como um desencargo de consciência: que culpa nós temos se ninguém se interessa por nada; que culpa nós temos se a moçada hoje está mais preocupada com as badalações que terá no final de semana, ou com o que postará nas redes sociais, do que com os rumos de sua própria cidade?

A tarefa não é fácil. E não será assim, lavando as mãos, ou dando às costas, como costumamos fazer, que conseguiremos conquistar nossos jovens, que conseguiremos, junto com eles, semear e colher cidadanias. Sim, porque é isso que temos que pôr em prática, se há um desinteresse generalizado, está aí uma boa missão a ser levada adiante por nós, precisamos então conquistá-los, precisamos lutar por eles e acreditar neles, estimulá-los, incomodá-los, trazê-los para preencher com reflexão e voz o chão que já preenchem fisicamente – num paralelo, acho até, permitam-me o desabafo, que mais do que pensarmos na inserção e na contribuição do jovem para o desenvolvimento, por meio de sua atuação, que é, basicamente o que estamos tratando neste segundo ato, é relevante nós também nos perguntarmos como nossos jovens estão envelhecendo, quais são as oportunidades que estão tendo, quais opções de educação, formação e lazer estão acessando, porque, meu caros, o futuro se constrói, não se aguarda, perdoem-me os gramáticos, mas o futuro é o presente.

Mesmo que soe exagerado, ou novelesco, não há avanços substanciais, de quaisquer naturezas, sem os jovens; não há avanços sem contarmos e compartilharmos de suas criatividades, energias e levezas, de suas ideias, contradições e intervenções artísticas, de seus protestos, devaneios e visões, de suas dúvidas, rebeldias e brilhantismos.

Os jovens estão (na) e são (a) cidade, deixemos de negá-la para eles!

[CONTINUA]

José Ricardo Menacho: Professor do Curso de Direito da Unemat/Cáceres, Autor do livro “O Plural do Diverso”

 




fonte: José Ricardo Menacho



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